Programa debate enfrentamento à violência contra a mulher
A edição desta quinta-feira (11) do programa Tempo de Refletir recebeu a delegada titular especializada no Atendimento à Mulher de Águas Lindas de Goiás, Tamires Teixeira, para uma conversa sobre protagonismo feminino, autoestima, independência emocional e financeira e como esses fatores contribuem para o rompimento do ciclo da violência contra a mulher. A abertura foi conduzida pelo secretário-executivo de Valorização e Qualidade de Vida, Epitácio Junior, que apresentou a trajetória profissional da convidada. A delegada Tamires Teixeira ressalta a importância das políticas públicas voltadas para as mulheres, como o acolhimento oferecido às servidoras públicas no retorno da licença-maternidade | Foto: Divulgação/SEEC-DF “Mesmo vivendo em uma sociedade que ainda carrega traços do machismo, a mulher deve se impor, estabelecer limites e não aceitar nada que possa ferir sua dignidade” Tamires Teixeira, delegada titular especializada no Atendimento à Mulher de Águas Lindas de Goiás Durante o programa, Tamires destacou que o protagonismo feminino está relacionado à capacidade de a mulher assumir o controle da própria vida e não aceitar situações que violem sua dignidade. “Mesmo vivendo em uma sociedade que ainda carrega traços do machismo, a mulher deve se impor, estabelecer limites e não aceitar nada que possa ferir sua dignidade”, afirmou. A delegada também ressaltou a importância das políticas públicas voltadas para as mulheres e elogiou iniciativas do Governo do Distrito Federal, como o acolhimento oferecido às servidoras públicas no retorno da licença-maternidade. Ela destacou, em especial, o Berçário Institucional Buriti, que permite às mães deixarem seus filhos em um ambiente seguro e acolhedor durante a jornada de trabalho. Segundo Tamires, ações de apoio à maternidade e de valorização das mulheres representam importantes conquistas para a promoção da qualidade de vida no serviço público. A delegada Tamires também abordou o tema da violência psicológica: “É um crime que vai eliminando a identidade da mulher e sua autoconfiança, fazendo com que ela se torne emocionalmente dependente do agressor” “A violência não começa do nada, com agressão física ou ameaças. Ela aparece no controle das redes sociais, no ciúme excessivo confundido com cuidado e em outras atitudes que muitas vezes passam despercebidas” Tamires Teixeira, delegada titular especializada no Atendimento à Mulher de Águas Lindas de Goiás Críticas e humilhações Outro ponto abordado foi a relação entre autoestima e violência. Segundo Tamires, relacionamentos abusivos geralmente começam de forma sutil. “A violência não começa do nada, com agressão física ou ameaças. Ela aparece no controle das redes sociais, no ciúme excessivo confundido com cuidado e em outras atitudes que muitas vezes passam despercebidas”, explicou. A violência psicológica também foi tema da conversa. De acordo com a delegada, humilhações, críticas constantes e comentários depreciativos sobre a aparência ou características pessoais afetam diretamente a autoconfiança da vítima. “É um crime que vai eliminando a identidade da mulher e sua autoconfiança, fazendo com que ela se torne emocionalmente dependente do agressor”, alertou. [LEIA_TAMBEM]Tamires destacou, ainda, que a violência contra a mulher atinge todas as classes sociais e que a dependência financeira continua sendo um dos fatores que dificultam o rompimento de relacionamentos abusivos. “A independência financeira ajuda a mulher a sair desse ciclo. Por isso, as políticas públicas de proteção e acolhimento são tão importantes”, ressaltou. Ao final, a delegada reforçou a importância da educação como ferramenta de prevenção e lembrou que mulheres em situação de violência podem buscar ajuda por meio da Central de Atendimento à Mulher (180), das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, da Polícia Militar (190), da Polícia Civil (197) e do Disque 100. Serviço: Acesse o link e assista ao programa completo: https://www.youtube.com/live/w9JIliWEj3k?si=O2ljuZdZtAUrwBSg *Com informações da Secretaria de Economia (Seec-DF)
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‘Conversa com Eles’ debate influência do machismo na violência doméstica
“O respeito às mulheres deve estar presente em todas as nossas relações, seja com esposas, filhas, colegas de trabalho ou qualquer outra mulher”, afirmou Antônio Rodrigues, ajudante de pedreiro em uma obra no Setor Hoteleiro Norte. Ele participou, nesta quinta-feira (6), do Conversa com Eles, iniciativa da Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal (Sejus-DF) que incentiva a reflexão sobre comportamentos machistas e sua relação com a violência contra a mulher. A secretária de Justiça e Cidadania, Marcela Passamani, destacou a importância do engajamento masculino no combate à violência contra a mulher | Foto: Divulgação/Sejus-DF Durante o mês de março, o projeto faz parte das ações intensificadas pela Sejus em alusão ao Dia Internacional da Mulher. Em 2024, o Conversa com Eles impactou cerca de 1.000 trabalhadores da construção civil, um setor predominantemente masculino. Neste ano, a iniciativa já alcançou 300 trabalhadores. As palestras são fruto de uma parceria com o Sindicato da Indústria da Construção Civil do DF (Sinduscon-DF) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-DF). A secretária de Justiça e Cidadania, Marcela Passamani, destacou a importância do engajamento masculino no combate à violência contra a mulher. “A conscientização dos homens não se limita a evitar comportamentos abusivos, mas também a transmitir esses valores a seus filhos e familiares”, afirmou. Pai de três filhos, Eronildes da Silva, auxiliar de serviços gerais, acompanhou atentamente a palestra e garantiu que levará os aprendizados para casa. “A violência doméstica não é apenas física. Existem agressões psicológicas e abusos que não podem ser tratados como normais. Quero ensinar isso às minhas filhas”, declarou. Direito Delas: atendimento e acolhimento às vítimas O Conversa com Eles integra o Direito Delas, programa da Sejus-DF voltado ao atendimento de mulheres em situação de violência e seus familiares, além de crianças e adolescentes de 7 a 14 anos vítimas de estupro e idosos vítimas de crimes. Desde sua criação, em novembro de 2023, o programa já realizou mais de 8 mil atendimentos nos seus 11 núcleos espalhados pelo DF: Plano Piloto, Ceilândia, Guará, Itapoã, Paranoá, São Sebastião, Planaltina, Recanto das Emas, Samambaia, Estrutural e Gama. *Com informações da Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal (Sejus-DF)
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Artigo: Uma luta pela vida das mulheres
Há muito tempo, fala-se sobre a importância do investimento do Estado em políticas públicas para melhorar a vida das mulheres vítimas de violência doméstica e no combate aos feminicídios. Desde que assumimos a Secretaria da Mulher recebemos reiterados questionamentos sobre os casos de feminicídios, como o Estado deve trabalhar para evitá-los e quais são as principais ações a serem priorizadas. É preciso dizer que o governador Ibaneis Rocha reconhece a importância dessa temática e, nesse sentido, deu status de Secretaria de Estado para essa pasta que elabora e implementa políticas públicas para as mulheres do Distrito Federal. Trabalhamos incansavelmente na formulação e execução de ações eficazes no cuidado com a vida das mulheres e esse é um ofício que nos faz refletir diariamente, pois, a cada dois segundos, uma mulher é vítima de violência doméstica, podendo levá-la à morte, tão somente por pertencer ao gênero feminino. Esse tipo de violência não tem classe social, não tem raça, nem um padrão específico. Acontece em todas as camadas sociais e assusta pela crueldade. Nos equipamentos de atendimento da Secretaria da Mulher, nos deparamos com diversos casos de agressão e, em todos eles, a violência apresenta-se como fruto de uma cultura machista, sexista e misógina difundida durante anos e anos. A Lei Maria da Penha, a Lei do Feminicídio, a Lei do Assédio Sexual e outros marcos existentes hoje na legislação trouxeram grandes avanços, pois o Estado buscou se organizar melhor, criando equipamentos para atender as mulheres de forma humanizada e célere. Para que esse trabalho seja executado pela Secretaria da Mulher, no Distrito Federal, contamos com três Centros de Atendimento à Mulher, um deles, na Estação do Metrô da 102 Sul (revitalizado nessa gestão), nove núcleos de atendimento às famílias e aos autores de violência, Casa Abrigo, delegacias funcionando 24 horas. Instituímos a Rede Sou Mais Mulher, uma parceria com instituições públicas e privadas, visando à promoção de ações voltadas para igualdade entre mulheres e homens. Nesse contexto, o programa Amor sem Violência foi criado para discutir violência contra a mulher nas escolas públicas, pois entendemos que esse tema deve ser abordado já na juventude em idade escolar. Também inauguramos o Espaço Empreende Mais Mulher, que tem como objetivo dar oportunidades para as mulheres em busca de sua autonomia econômica, um dos principais motivos para saída de uma relação dependente e abusiva. Em agosto, iniciamos uma campanha publicitária, com base no site relógios da violência, que está sendo divulgada em veículos de comunicação e nas ações diretas que estão acontecendo nas feiras, rodoviárias e eventos em geral. [Olho texto=”A cada notícia de violência contra a mulher, a cada feminicídio, pensamos em quão perversa é a lógica machista e, exatamente por esse motivo, bastante desafiadora para a gestão pública.” assinatura=”Ericka Filippelli, secretária da Mulher” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Estamos conscientes de que políticas públicas eficazes propiciam melhores condições de vida para as mulheres e, sem sombra de dúvida, podemos dizer que, por determinação do governador Ibaneis, devemos atuar de forma transversal, envolvendo todas as secretarias de Estado. A cada notícia de violência contra a mulher, a cada feminicídio, pensamos em quão perversa é a lógica machista e, exatamente por esse motivo, bastante desafiadora para a gestão pública. Segundo a pesquisa da Secretaria de Segurança Pública, que detalha todos os casos de feminicídios ocorridos no DF, a maioria desses crimes se deu por sentimento de posse, que geralmente é o que tange a matriz moral nas relações de poder dos homens sobre as mulheres. Os homens ainda acham que as mulheres são propriedade deles, portanto, suas roupas, seu lar, os filhos, celular, o dinheiro, seus corpos, tudo está sob seu domínio. Este seria o pano de fundo para oprimi-las, agredi-las, matá-las. [Olho texto=”Precisamos reeducar os homens contra o machismo, que deve ser combatido diariamente, mesmo estando presente nos mais variados ambientes. O combate ao machismo estrutural é uma luta de toda a sociedade, portanto, homens e mulheres precisam caminhar lado a lado.” assinatura=”Ericka Filippelli, secretária da Mulher” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Nosso trabalho é desafiador, pois diariamente lidamos com vidas de mulheres violentadas de diversas formas e essas vidas são preciosas para nós. Não queremos negar as diferenças entre homens e mulheres, mas diremos sempre: não às desigualdades. As mulheres não devem ter medo de andar nas ruas, de serem livres. Elas não podem perder seu o direito de ir e vir, pois esse é um direito garantido constitucionalmente e nós, com apoio de todas as secretarias do Governo do Distrito Federal, vamos continuar trabalhando para lhes garantir o que determina a Constituição brasileira. Precisamos reeducar os homens contra o machismo, que deve ser combatido diariamente, mesmo estando presente nos mais variados ambientes. O combate ao machismo estrutural é uma luta de toda a sociedade, portanto, homens e mulheres precisam caminhar lado a lado. Nas últimas semanas, fomos cercados pela palavra luto, mas não vamos nos calar nem nos desanimar. Luto para nós é verbo e lutaremos pela vida das mulheres do Distrito Federal.
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