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“Viver com dor é horrível, não desejo isso nem pro meu pior inimigo. A dor te poda, você perde a alegria de viver”. O desabafo é de Maria de Fátima Araújo dos Santos, de 71 anos, que enfrenta dores constantes e tem osteopenia, condição caracterizada pela redução da densidade mineral dos ossos. Para ela, o sofrimento vai além das limitações físicas e afeta até os momentos mais simples do dia a dia. Acompanhada pela equipe de Reumatologia do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), Maria de Fátima representa uma realidade enfrentada por milhões de brasileiros. Nesta sexta-feira (30), Dia Nacional de Luta do Paciente Reumático, especialistas alertam para a importância do diagnóstico e do acompanhamento adequado dessas condições. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), mais de 15 milhões de brasileiros convivem com enfermidades que podem afetar articulações, músculos, ossos e outros órgãos, comprometendo a mobilidade e a qualidade de vida. Entre as mais conhecidas estão osteoartrite, também chamada de artrose, gota, tendinite, bursite, artrite reumatoide e lúpus. Mais de mil atendimentos por mês Maria de Fátima Araújo dos Santos, de 71 anos, enfrenta dores constantes e tem osteopenia, condição caracterizada pela redução da densidade mineral dos ossos: “Viver com dor é horrível. Você perde a alegria de viver” | Foto: Divulgação/IgesDF “Conviver com a dor é a maior dificuldade enfrentada pelos pacientes. Isso inclui superar as limitações causadas por ela, seja com medicamentos ou fisioterapia, e lidar com a falta de compreensão de familiares e colegas de trabalho” Roberto Rodrigues, chefe do serviço de reumatologia do HBDF No Hospital de Base, os atendimentos em reumatologia superam a média de mil por mês. O chefe do serviço de reumatologia do HBDF, Roberto Rodrigues, destaca que, além das limitações físicas, os pacientes enfrentam dificuldades que afetam as relações familiares e profissionais. “Conviver com a dor é a maior dificuldade enfrentada pelos pacientes. Isso inclui superar as limitações causadas por ela, seja com medicamentos ou fisioterapia, e lidar com a falta de compreensão de familiares e colegas de trabalho”, afirma Rodrigues. Maria de Fátima conhece bem essa realidade. Para ela, a dificuldade de fazer com que outras pessoas compreendam seu sofrimento também traz consequências emocionais. “Ninguém consegue ver o que você está sentindo. Então, eles não entendem. Tem gente que acha que estamos inventando, estamos nos fazendo de vítima. Isso me deixa muito triste”, lamenta. O desafio de descobrir a doença [LEIA_TAMBEM]Os sintomas das enfermidades reumáticas podem variar e se confundir com os de outros problemas de saúde, tornando a investigação clínica fundamental para identificar a causa e definir o tratamento adequado. Kethelen Pereira Neyre de Sousa tinha 16 anos quando começou a apresentar inchaços pelo corpo e dores. Após passar por internações prolongadas e diversas consultas, recebeu o diagnóstico de lúpus, uma doença autoimune capaz de atingir diferentes órgãos e sistemas do organismo. “Cheguei a ficar mais de um mês internada, e os médicos não descobriam o que tinha de errado. Hoje, mesmo medicada, têm dias que acordo com muita dor, enjoo e fadiga”, relata Kethelen. A experiência também mostrou a Kethelen a importância de encontrar pessoas que compreendem os desafios de enfrentar uma condição crônica. Para ela, compartilhar vivências ajuda a combater o desconhecimento e a sensação de isolamento. “Cada um tem o seu jeito de sentir e vai passar por coisas diferentes, mas é importante saber que outras pessoas vivem as mesmas coisas”, observa. Pessoas que apresentam sintomas persistentes devem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS), porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). Após a avaliação inicial, o profissional de saúde poderá indicar, quando necessário, o encaminhamento para acompanhamento especializado em unidades de referência, como o Hospital de Base do Distrito Federal. *Com informações da Sedes-DF
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