Com recordes de queda na criminalidade, DF investe em inteligência para enfrentar sensação de insegurança
Mesmo com sucessivas quedas nos índices criminais e resultados históricos — como o mês de fevereiro de 2026, que registrou o menor número de homicídios desde o início da série histórica, em 1977 —, o Distrito Federal ainda convive com um desafio que vai além dos números: a sensação de insegurança da população. Para enfrentar esse cenário com inteligência, dados e planejamento, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) recebeu, na última semana, os relatórios finais do projeto Cidade + Segura. A entrega marca o encerramento de um ciclo robusto de pesquisa aplicada, desenvolvido em parceria com a Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) e a Universidade de Brasília (UnB), no âmbito do Programa Desafio DF. Mais do que um ato formal, a finalização dos relatórios simboliza um avanço estratégico, com uso de evidências, escuta ativa da população e análise qualificada de dados para a implementação de ações. Na última semana, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) recebeu os relatórios finais do projeto Cidade + Segura | Fotos: Divulgação/SSP-DF O projeto teve como foco compreender um fenômeno central para a segurança pública contemporânea: o medo do crime. Ao longo de dois anos, foram realizados diagnósticos, pesquisas de campo, grupos focais e desenvolvimento de soluções tecnológicas, o que permitiu uma leitura aprofundada sobre como e por que a população se sente insegura — mesmo diante da redução consistente dos indicadores criminais. “O Distrito Federal tem alcançado resultados históricos na redução da criminalidade, como demonstram os dados mais recentes. Mas segurança pública não se mede apenas por números. É fundamental que a população se sinta segura no seu dia a dia. Esse projeto nos permite compreender melhor essa percepção e agir de forma mais precisa, com políticas públicas orientadas por evidências e focadas na realidade das pessoas”, destacou o secretário de Segurança Pública do DF, Sandro Avelar. No Setor Comercial Sul, por exemplo, o estudo oferece subsídios técnicos para ações já em andamento, como a ampliação do videomonitoramento, a instalação de tecnologias inteligentes e a implantação da Unidade Integrada de Segurança Pública (Uisp) Ao todo, foram entregues quatro relatórios estruturantes que compõem o projeto Cidade + Segura: o diagnóstico distrital sobre o medo do crime, o planejamento estratégico, além de estudos específicos sobre o Setor Comercial Sul (SCS) e o sistema de transporte coletivo. “A FAPDF acredita na ciência como ferramenta concreta de transformação social. Os resultados deste projeto mostram como o conhecimento produzido pela academia pode orientar decisões mais eficientes e contribuir diretamente para a melhoria da segurança pública no Distrito Federal. Quando investimos em pesquisa aplicada, estamos investindo em soluções concretas para problemas complexos da sociedade”, destaca o presidente da FAPDF, Leonardo Reisman. De acordo com Isângelo Senna, integrante da Comissão Técnica da SSP-DF responsável pelo acompanhamento do projeto, que é mestre e doutor com trajetória acadêmica dedicada aos estudos sobre Crime Prevention Through Environmental Design (CPTED) — em português: Prevenção do Crime por Meio do Design Ambiental — e medo do crime, a percepção de segurança é um fenômeno complexo, que envolve experiência subjetiva, sinais ambientais e confiança institucional. “Por isso, enfrentar esse desafio exige mais do que policiamento e estatística criminal: exige diagnóstico qualificado, escuta da população e intervenções baseadas em evidências sobre os fatores que moldam a percepção de segurança. Nesse contexto, a CPTED oferece uma contribuição importante ao demonstrar como o ambiente urbano pode ser planejado, manejado e qualificado para reduzir vulnerabilidades e fortalecer a sensação de segurança em uma perspectiva de segurança integral”, explicou o especialista. Responsável pela pesquisa, o professor Arthur Trindade Maranhão Costa evidencia a importância do material produzido para a segurança pública do Distrito Federal: “Diminuir a sensação de insegurança é um dos principais desafios do Distrito Federal. A pesquisa que realizamos, a pedido da SSP-DF, buscou levantar informações e dados que subsidiam políticas públicas voltadas para o tema”. O estudo, realizado ao longo de dois anos, visa compreender um fenômeno central para a segurança pública contemporânea: o medo do crime Os documentos revelam fatores que influenciam diretamente a percepção de insegurança, como desordens urbanas, iluminação precária, infraestrutura inadequada, presença institucional e experiências vividas pelos cidadãos em seus deslocamentos diários. A partir desses achados, foram formuladas recomendações concretas para orientar intervenções mais eficazes e integradas. No Setor Comercial Sul, por exemplo, o estudo oferece subsídios técnicos para ações já em andamento, como a ampliação do videomonitoramento, a instalação de tecnologias inteligentes e a implantação da Unidade Integrada de Segurança Pública (Uisp). Já no transporte coletivo, o levantamento aponta caminhos para fortalecer a segurança nos trajetos, com melhorias em iluminação, vigilância, canais de denúncia e prevenção ao assédio. [LEIA_TAMBEM]Outro destaque do projeto é o desenvolvimento de uma solução tecnológica baseada no conceito de CPTED, que permitirá à SSP-DF identificar e atuar de forma mais ágil em problemas urbanos que impactam diretamente a sensação de segurança, como falhas de iluminação, acúmulo de lixo e degradação de espaços públicos. Coordenado pelo Núcleo de Estudos sobre Violência e Segurança da UnB (Nevis), sob liderança do professor Arthur Trindade, o projeto mobilizou pesquisadores, especialistas e diversas áreas da própria SSP-DF, além de forças de segurança e outros órgãos do Governo do Distrito Federal, em um esforço integrado e multidisciplinar. A iniciativa também estabelece uma base inédita para a avaliação contínua das políticas públicas. Com a previsão de novas coletas de dados no segundo semestre de 2026, será possível comparar cenários antes e depois das intervenções — especialmente em áreas estratégicas como o SCS e o sistema de transporte —, mensurando com precisão os impactos das ações implementadas. Pesquisa A pesquisa que fundamenta o projeto Cidade + Segura contou com o apoio da FAPDF e representa um avanço na aplicação da ciência para o enfrentamento dos desafios da segurança pública. A iniciativa integrou produção acadêmica, análise de dados e desenvolvimento de soluções práticas, gerando diagnósticos qualificados sobre o medo do crime e a percepção de insegurança no DF. O estudo reforça o papel estratégico da pesquisa científica na formulação de políticas públicas mais eficientes, orientadas por evidências e voltadas à melhoria da qualidade de vida da população.
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Nova sala de monitoramento facilita acesso a dados sobre síndromes gripais
A Secretaria de Saúde (SES-DF) lançou uma sala de monitoramento dedicada às síndromes gripais, que reúne informações sobre casos, internações, exames e atendimentos em um único lugar. O espaço virtual, disponível na plataforma InfoSaúde desde segunda-feira (26), foi desenvolvido por meio do Centro de Inteligência de Informações Estratégicas para Gestão no SUS (Ciegas-DF). Acesse o portal aqui. “Com a nova sala de monitoramento, o Distrito Federal avança ainda mais na utilização de dados e tecnologia para melhorar a transparência e a eficácia na gestão da saúde” Rodrigo Vidal, subsecretário de Planejamento em Saúde A nova página centraliza os dados sobre as síndromes gripais, incluindo covid-19, que antes tinha uma área de monitoramento própria. Os indicadores coletados abrangem ainda atendimentos em unidades básicas de saúde (UBSs), hospitais, unidades de pronto atendimento (UPAs), internações, exames e síndromes respiratórias agudas graves (SRAGs). Os relatórios são provenientes de sistemas de prontuários eletrônicos (e-SUS, Trakcare, MV), boletins da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Divep) e Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (Cnes), entre outros. O usuário pode visualizar três abas: informações gerais, painel e mapa. A primeira indica ao internauta o acesso para o portal de informações do covid-19, a lista de pontos de vacinação e os boletins informativos de gripes e de covid-19 | Foto: Divulgação/Agência Saúde “O objetivo é aprimorar o acompanhamento e a gestão da saúde pública no DF. Essa iniciativa visa não apenas facilitar o acesso a informações, mas também promover transparência e uma comunicação eficiente com a população, fortalecendo a resposta do sistema de saúde pública às necessidades da comunidade”, avalia o subsecretário de Planejamento em Saúde da SES-DF, Rodrigo Vidal. “Com a nova sala de monitoramento, o Distrito Federal avança ainda mais na utilização de dados e tecnologia para melhorar a transparência e a eficácia na gestão da saúde.” “Essa iniciativa visa não apenas facilitar o acesso a informações, mas também promover transparência e uma comunicação eficiente com a população, fortalecendo a resposta do sistema de saúde pública às necessidades da comunidade”, avalia o subsecretário de Planejamento em Saúde da SES, Rodrigo Vidal O ambiente virtual segue o modelo do Portal Dengue, lançado em fevereiro deste ano durante uma epidemia da doença. O portal registrou mais de 200 mil acessos em três meses. “Estabelecemos a mesma estratégia de agrupar dados e produzir painéis gamificados para que a população, gestores e servidores de saúde tenham maior facilidade em acessar e analisar essas informações”, salienta Vidal. O desenvolvimento, validação e organização dos índices disponibilizados no espaço virtual contaram com colaboração de diversas áreas internas da SES-DF, incluindo o Complexo Regulador do DF (CRDF), Subsecretaria de Vigilância à Saúde (SVS), Subsecretaria de Atenção Integral à Saúde (SAIS) e Subsecretaria de Planejamento em Saúde (Suplans). Acesso Para acessar a nova sala de monitoramento, basta entrar na plataforma InfoSaúde. Ao clicar em “Síndromes Gripais”, o usuário pode visualizar três abas: informações gerais, painel e mapa. A primeira indica ao internauta o acesso para o portal de informações do covid-19, a lista de pontos de vacinação e os boletins informativos de gripes e de covid-19. Na aba “Painel”, é possível acessar o resumo executivo de covid-19, atendimentos de síndromes gripais, exames e internações, entre outros dados. Já na aba “Mapa”, o usuário tem acesso ao número de pacientes com síndrome gripal atendidos pela Atenção Primária de Saúde por local de residência. Os dados são referentes ao primeiro atendimento recebido por cada paciente e a localização é obtida pelo CEP registrado por cada um no cadastro do e-SUS.
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Notificações de acidentes e doenças de trabalho crescem 44% no DF
Acidentes de trabalho e doenças ocupacionais ganham cada vez mais relevância não apenas como um problema de saúde pública, mas também como um desafio para a segurança e bem-estar dos trabalhadores. Relatórios precisos e abrangentes sobre esses incidentes desempenham um papel crucial na assistência imediata aos afetados e na prevenção de futuros episódios. “A notificação deve ser feita por qualquer profissional de saúde, a partir da suspeita de doenças e agravos relacionados ao trabalho. Todos os profissionais de saúde, em seu nível de atenção, precisam estar atentos a reconhecer e notificar esses casos” Juliana Moura da Silva, gerente do Cerest-DF O Distrito Federal conta com 1,7 milhão de trabalhadores economicamente ativos. Na capital, as notificações de acidentes, doenças e agravos têm aumentado. Apenas nos primeiros quatro meses deste ano foram 3.801 casos – um aumento de 43,8% em relação ao mesmo período de 2023. A alta expressiva nos registros é acompanhada pelos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), que sensibiliza os profissionais da área sobre a importância da notificação de agravos relacionados ao trabalho. No DF, esse acompanhamento é coordenado pela Diretoria de Saúde do Trabalhador (Disat), vinculada à Secretaria de Saúde (SES). Os centros de referência promovem ações para melhorar as condições de trabalho e a qualidade de vida do trabalhador por meio da prevenção e vigilância. Cabe a eles promover a integração da rede de serviços de saúde do SUS, assim como suas vigilâncias e gestão, na incorporação da Saúde do Trabalhador em sua atuação rotineira. Relatórios precisos e abrangentes sobre acidentes de trabalho e doenças ocupacionais desempenham um papel crucial na assistência imediata aos afetados e na prevenção de futuros episódios | Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília Suas atribuições incluem apoiar investigações de maior complexidade, assessorar a realização de convênios de cooperação técnica, subsidiar a formulação de políticas públicas, fortalecer a articulação entre a atenção básica, de média e alta complexidade para identificar e atender acidentes e agravos relacionados ao trabalho. Os relatórios que registram acidentes, doenças e outros agravos relacionados ao ambiente profissional são fundamentais para compreender a realidade desses incidentes. A partir deles, é possível traçar estratégias de prevenção mais eficazes. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, só em 2023 foram registrados mais de 540 mil acidentes de trabalho no país. No DF, foram 9.158 notificações ao longo de todo o ano passado. As fiscalizações do Cerest são feitas através de denúncias no portal da ouvidoria do órgão, solicitações do Ministério Público do Trabalho, órgãos de representação dos trabalhadores ou quando há evidência epidemiológica de risco em ambientes de trabalho. Algumas ações adotadas pela Diretoria de Saúde do Trabalhador estão na elaboração de notas técnicas, com cuidados e orientações sobre acidentes, doenças e agravos no ambiente de trabalho | Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília Colaboração entre setor público e privado A colaboração entre a rede pública e privada é essencial para o registro eficiente desses casos. Quando um trabalhador dá entrada em uma unidade de saúde após um acidente de trabalho, por exemplo, o sistema de saúde tem um papel crucial em assegurar que o incidente seja adequadamente documentado. Isso não apenas facilita o tratamento médico imediato, mas também contribui para estatísticas precisas que orientam políticas públicas e iniciativas empresariais de segurança. “A notificação deve ser feita por qualquer profissional de saúde, a partir da suspeita de doenças e agravos relacionados ao trabalho. Todos os profissionais de saúde, em seu nível de atenção, precisam estar atentos a reconhecer e notificar esses casos”, explica Juliana Moura da Silva, gerente do Cerest-DF. As fiscalizações do Cerest são feitas através de denúncias ou quando há evidência epidemiológica de risco em ambientes de trabalho | Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília Prevenção De acordo com Elaine Faria Morelo, diretora do Disat-DF, a maioria dos acidentes de trabalho poderia ser evitada com medidas adequadas de prevenção. Capacitação constante dos trabalhadores, implementação de normas de segurança rigorosas e revisão periódica das condições de trabalho são alguns passos fundamentais nesse sentido. O engajamento, tanto do setor público quanto do setor privado, é crucial para promover uma cultura de segurança e prevenção no ambiente de trabalho. “O nosso objetivo é promover ações para melhorar ambientes e processos de trabalho. A gente quer reduzir esses acidentes e agravos, doenças ocupacionais. A gente quer que o trabalhador tenha saúde e desenvolva suas ações e capacidades sem adoecer”, ressalta Elaine. Algumas ações adotadas pela Diretoria de Saúde do Trabalhador estão na elaboração de notas técnicas, com cuidados e orientações sobre acidentes, doenças e agravos no ambiente de trabalho. Há, por exemplo, documentos sobre acidentes de trabalho com exposição a material biológico, o uso de equipamento de proteção individual (EPI), e medidas de prevenção à dengue e síndromes gripais para empresas. Além disso, os centros de referência também marcam presença em empresas para sensibilizar os empregados sobre os cuidados necessários.
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Ouvidorias ganham força no GDF
O vice-governador do GDF, Paco Britto, abriu a solenidade do Dia do Ouvidor /Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília Nesta quarta-feira (20), o Diário Oficial do Distrito Federal publicou o Decreto nº 39.723, que estabelece novas normas de atuação das 91 ouvidorias da administração direta e indireta. De acordo com o texto, os órgãos terão dois meses para definir os procedimentos internos de atuação com intuito de dar prioridade total para as demandas da população registradas pelo Sistema de Gestão de Ouvidoria do Distrito Federal (Sigo/DF). “Este é o início de uma nova época de respeito absoluto ao cidadão, que terá cada vez mais mecanismos para se comunicar com o governo”, afirmou o vice-governador, Paco Britto, durante solenidade em homenagem ao Dia do Ouvidor, no Palácio do Buriti. [Olho texto=” “Este é o início de uma nova época de respeito absoluto ao cidadão, que terá cada vez mais mecanismos para se comunicar com o governo”” assinatura=”Vice-governador do GDF, Paco Britto” esquerda_direita_centro=”direita”] “Se pudéssemos resumir o decreto em duas palavras, seriam prioridade e efetividade”, disse o controlador-geral do DF, Aldemario Araújo Castro. “Prioridade no atendimento ao cidadão e nas demandas que são encaminhadas pelo sistema e efetividade nas respostas às demandas apresentadas”. O decreto determina ainda que a Controladoria-Geral encaminhe relatórios trimestrais, com destaque para as principais reclamações, denúncias e solicitações de serviços às secretarias e demais órgãos – aos quais também caberá a incumbência de notificar as unidades que estiverem com fraco desempenho no atendimento às demandas da população. Plano de ação “Vamos editar uma portaria caracterizando o que será tratado como grave, por exemplo, se houver uma quantidade muito grande de reclamações e ocorrências relacionadas com um mesmo órgão ou serviço”, explicou Aldemario. “Nesse contexto, será preciso elaborar um plano de ação com prazos e metas para solucionar o problema”. Há inovação também quanto ao processo de escolha dos ouvidores. A partir de agora, o controlador-geral deverá indicar os ocupantes dos cargos, depois da análise de uma lista tríplice encaminhada pelo órgão de origem. Para participar da seleção, serão estabelecidos critérios entre os quais se destacam ser servidor efetivo ou empregado de empresa pública concursado e, se possível, ter no currículo experiência no contato com o público em geral.
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