Nova pesquisa vai apurar a relação das pessoas com a religião no DF
Por meio da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Dipos), o Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF) inicia nesta segunda-feira (1º) a primeira pesquisa sobre o cenário religioso do Distrito Federal, estudo pedido pela Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF). Os pesquisadores convidam toda população para responder o questionário e contribuir com o sucesso desse estudo inédito. A pesquisa tem como principal objetivo compreender como a religiosidade se manifesta no DF, considerando as diferentes expressões e percepções. O questionário é anônimo e confidencial, o que significa que ninguém será capaz de relacionar as respostas à pessoa. O tempo aproximado para a conclusão do questionário é de cinco minutos. O IPEDF acentua que a participação é importante para a construção de políticas públicas sobre o tema. Para acessar o questionário e responder, entre neste link. Dúvidas sobre a pesquisa podem ser enviadas ao instituto pelo e-mail: politicas.sociais@ipe.df.gov.br. *Com informações do IPEDF
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Festa das Águas homenageia Iemanjá e Oxum na Praça dos Orixás
“Dia 2 de fevereiro/dia de festa no mar”, canta o conhecido samba do baiano Dorival Caymmi. Mas em Brasília, mesmo sem mar, também teve comemoração às margens do Lago Paranoá, nesta quinta-feira (2). Para marcar o dia dedicado a Iemanjá, uma das divindades das religiões de matriz africana, a Festa das Águas trouxe uma extensa programação em diversos ritos e apresentações artísticos-culturais. Festa das Águas é uma das manifestações populares que integram o Circuito Candango de Culturas Populares | Fotos: Hugo Lira Em sua quarta edição, a Festa das Águas é realizada pelo Instituto Rosa dos Ventos de Arte, com apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF (Secec), como uma das cinco manifestações populares que integram o Circuito Candango de Culturas Populares, iniciativa custeada por termo de fomento de R$ 469 mil, com previsão de 200 empregos diretos e indiretos até junho. Reconhecida como patrimônio cultural brasileiro e do DF, a Praça dos Orixás foi o palco das celebrações. Na parte da manhã, um público de cerca de 500 pessoas acompanhava a dança das Yás (abreviatura de yalorixás), a defumação e os banhos de cheiro e as rodas para Iemanjá e para Oxum, divindade também homenageada nesta edição da festa. Muitos também aproveitaram para entregar suas oferendas e presentes, agradecendo e louvando o poder das águas correntes, simbolizando a relação das orixás com a natureza. Ao longo de todo o dia, muita música, dança, capoeira, feiras de gastronomia e artesanato e, sobretudo, muita fé. Cerimônia na Praça dos Orixás, onde foi destacada a importância do respeito a todas as religiões Enquanto espaço político, a Festa das Águas também reuniu autoridades locais e a recém-empossada ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. “O DF tem uma representatividade muito relevante dentro da cultura de matriz africana do país. A Festa das Águas é um retrato disso. Em especial, nesta 4ª edição, tivemos a presença de representantes de importantes órgãos dos governos distrital e federal, selando o compromisso de cuidado e revitalização com a Praça dos Orixás. Isso mostra a força e a potência que a Festa das Águas traz para o povo de terreiro”, afirmou a presidente do Rosa dos Ventos, Steffanie Silva de Oliveira. Importante liderança local e diretora do Coletivo das Yás do DF, Mãe Baiana destacou as dificuldades enfrentadas pelos praticantes de religiões como o candomblé e a umbanda. “O racismo religioso mata, é feio, vamos combatê-lo”, destacou. “Nossa Praça existe, nossos orixás existem, nossa fé existe.” Pouco depois, um ponto cantado nas rodas dizia que “não importa a nação [religiosa], vamos levantar a bandeira da união”, exortando os presentes a defender a tolerância religiosa diante da liberdade de credo no Brasil garantida pela Constituição Federal de 1988. A formanda em Gestão Ambiental na Universidade de Brasília (UnB), Vitória Ferreira de Meneses, trazia em um sling o filho Victor Nauê, de um ano, que dormia ao som dos atabaques. “Acredito nas religiões de matrizes africanas pelo acolhimento que dão. A gente ganha uma família. Isso é muito importante num mundo onde cada vez mais é cada um por si”, ensinava a mãe. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] O advogado Cristiano Lopes, iniciado no Candomblé, deixou o terno em casa e, de branco e eketê (toca ritual) na cabeça, ensinava sobre o percurso do culto dos orixás. Segundo ele, essa manifestação conta com mais de 5 mil anos de existência no continente africano, onde há registros de devoção a mais de 300 orixás. No Brasil, há quase 500 anos, a partir de Bahia e Rio de Janeiro, as divindades se traduziram em número menor, mas em semelhante importância. Justificava a presença das estátuas de apenas 16 divindades na Praça dos Orixás pelo fato de que lá estão as mais conhecidas, representando uma diversidade maior de manifestações de religiosidade de matriz africana. Rafael Veiga, membro da casa de umbanda Fraternidade Universalista da Divina Luz Crística, no Núcleo Bandeirante, preparava a queima de incensos a fim de purificar o ambiente, convocando o axé (poder ou energia do local) para as rodas em homenagem a Iemanjá e Oxum. “Queremos promover a paz. Vamos benzer as pessoas, dar passes”, dizia entre maços de ervas e flores. Atrás dele, o Paranoá se preparava para o famoso cortejo de entrega de balaios, que começaram a ser preparados ainda de madrugada. A cerimônia continuou à tarde com rodas de samba, participação de DJs, apresentações de capoeira e shows da Orquestra Alada Trovão da Mata e do Zenga Baque Angola. *Com informações da Secec
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Fiéis festejam a padroeira da cidade com missa na Esplanada
Cerca de 60 mil pessoas estiveram presentes nesta quarta-feira (12) na tradicional missa de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil e de Brasília. A celebração, que nos dois últimos anos ocorreu com uma missa menor, dentro da Catedral Metropolitana, devido à pandemia de covid-19, neste ano retornou à Esplanada dos Ministérios, com direito à tradicional procissão. O governador em exercício, Paco Britto, juntamente com a esposa, Ana Paula Hoff, assistiu à missa, celebrada pelo arcebispo de Brasília, cardeal Dom Paulo Cezar. Após dois anos ocorrendo dentro da Catedral, devido à pandemia, a celebração retornou à Esplanada dos Ministérios | Fotos: Geovana Albuquerque/ Agência Brasília Na homilia de pouco mais de 20 minutos, Dom Paulo chamou a atenção das autoridades para que tivessem um “olhar de mãe” para os problemas da cidade e criticou o momento que o país vive com a polarização. “Peçamos à Mãe que interceda por nós, que nos ajude a respeitar nossas diferenças”, disse. “Nosso povo é um povo de fé, e qualquer análise que não leve em conta a fé do povo é uma análise míope”, completou. O evento contou com a presença das 156 paróquias do Distrito Federal, todas com representantes na celebração. Envolvidas na festa, 350 católicos se dividem na organização, iluminação, som e atendimento aos fiéis. “É muito gratificante ver essa celebração de volta, emocionando os católicos, festejando a nossa padroeira, depois de dois anos prejudicada pela pandemia. Que Nossa Senhora Aparecida continue abençoando o Distrito Federal”, disse Paco Britto. O governador em exercício, Paco Britto, e a esposa, Ana Paula Hoff, assistiram à missa, celebrada pelo arcebispo de Brasília, cardeal Dom Paulo Cezar Antes do início da missa, o cardeal Dom Paulo também havia falado sobre a pandemia em uma entrevista. “A pandemia mexeu com todos nós e mostrou a fragilidade da vida”, afirmou. A programação da festa da padroeira começou cedo, às 9h, com a Missa das Crianças e Coroação de Nossa Senhora. À tarde, os católicos puderam rezar o Ofício da Imaculada Conceição, o terço mariano, e o início da Novena Missionária e terço missionário. Após a missa, teve início a procissão com a imagem da santa, onde os fiéis acendem velas e fazem o percurso na Esplanada dos Ministérios. Durante a caminhada, são concedidas três bênçãos: pelos doentes, pelos governantes e pelas famílias.
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Profetizada por Dom Bosco, Brasília é conhecida pela diversidade religiosa
Em 30 de agosto de 1883, Dom Bosco profetizou o surgimento de uma terra prometida exatamente onde Brasília foi construída anos depois, entre os paralelos 15 e 20. O sonho do sacerdote foi a primeira indicação de que a capital se tornaria uma cidade de fé ecumênica. A Catedral Metropolitana de Brasília é a principal das 154 paróquias do Distrito Federal | Foto: Arquivo/Agência Brasília A diversidade religiosa candanga é reflexo das diferentes culturas que foram reunidas desde antes da inauguração no quadradinho. “Brasília foi criada para ser uma cidade acolhedora, representando os diversos brasileiros. Cada um trouxe aquilo que tinha, como a sua fé. Brasília soube acolher de forma harmônica as diferentes religiões, que convivem de forma pacífica”, avalia o padre Roger Araújo, responsável pelo Setor de Comunicação da Arquidiocese de Brasília. [Olho texto=”“Brasília soube acolher de forma harmônica as diferentes religiões, que convivem de forma pacífica” – Padre Roger Araújo” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”direita”] A Igreja Católica foi a primeira manifestação religiosa a aparecer formalmente na cidade. Em 3 de maio de 1957, celebrou-se a primeira missa da capital, onde hoje está localizada a Praça do Cruzeiro. Depois, em 1960, a Arquidiocese de Brasília foi criada pelo Papa João XXIII e instalada no mesmo dia em que a cidade foi inaugurada. “A primeira iniciativa de JK antes de Brasília nascer foi fazer a primeira missa. A Igreja sempre caminhou juntamente com a cidade. No dia da inauguração, o Papa mandou uma radiomensagem a seu representante e também nomeou o primeiro arcebispo, Dom José Newton”, lembra o padre. Crescendo junto a Brasília, já são 154 paróquias espalhadas pelo DF, tendo a Catedral Metropolitana de Brasília, na Esplanada dos Ministérios, como a principal. “A Catedral é como se fosse o primeiro ministério da Esplanada, não relacionado ao serviço do governo, mas porque tudo que se realiza tem que se colocar Deus em primeiro lugar. Ela está ali como esse símbolo”, defende o religioso. “A gente entende a diversidade como uma família, em que cada filho tem uma personalidade”, afirma o pastor Ricardo Espindola | Foto: Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília Pastor de um dos templos mais tradicionais da cidade, a Igreja Batista Central de Brasília (IBCB), Ricardo Espindola avalia que a força da espiritualidade na capital tem a ver com o fato de ser o centro do país. “Há um apelo muito grande quando a gente pensa que estamos no coração do país. Acho que Brasília tem um peso que não é só na condução política e econômica, mas acima de tudo, espiritual”, comenta. A IBCB nasceu sete anos após a inauguração da cidade, com uma congregação pequena no Núcleo Bandeirante criada pelo então ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Antônio Vilas Boas. Depois foi transferida para a 603 Sul, comandada pelo pastor Vilarindo Lima. De um barracão com 17 pessoas, hoje a igreja abriga cinco mil fiéis conduzidos pelo neto de Vilarindo, o pastor Ricardo Espindola. A criação do Templo Shin Budista Terra Pura, na 315/316 Sul, foi solicitada pela comunidade budista nipo-brasileira a Juscelino Kubitschek, em 1958 | Foto: Luís Tajes/Setur-DF Ao longo dos anos, o território candango viu crescer a fé evangélica. De acordo com o Conselho de Pastores, são aproximadamente cinco mil templos em todo o DF. “Brasília tem um conjunto de igrejas independentes. Muitas vezes essas igrejas conseguem ter um braço que alcança a comunidade num local muito pequeno. A gente entende a diversidade como uma família, em que cada filho tem uma personalidade. Assim somos nós; há quem se identifica com o mover carismático ou mais tradicional”, afirma o pastor Ricardo Espindola. Junção de crenças Segundo a Secretaria de Turismo, o Templo da Boa Vontade é o monumento mais visitado em Brasília | Foto: Arquivo Agência Brasília Com a fundação do Templo da Boa Vontade, na 915 Sul, em 21 de outubro de 1989, Brasília passou a ser reconhecida também pelo ecumenismo, por ser um espaço que acolhe visitantes de todo o mundo independentemente, da fé de cada um deles. “Nosso templo é conhecido como um espaço de paz que abraça a diversidade de crenças e também de quem não tem religião, mas acredita no bem. O templo está em sintonia com essa atmosfera mística e universal da capital”, analisa a ministra do Templo da Boa Vontade, Marina Kriger. O local celebra o amor, a caridade e a solidariedade, por meio de preces ecumênicas, meditação e atividades desenvolvidas em áreas específicas, como a nave da caminhada, em que o visitante percorre um trecho para purificação embaixo do Cristal Sagrado – a maior pedra de cristal puro do mundo, com aproximadamente 21 kg. O templo é considerado o monumento mais visitado de Brasília, segundo a Secretaria de Turismo. A Rota da Paz destaca locais como o Vale do Amanhecer, em Planaltina A pasta, inclusive, celebra a espiritualidade de Brasília por meio da Rota da Paz, um circuito que apresenta a “Capital da Esperança” com 12 pontos turísticos representativos do tema que celebram diferentes crenças. O budismo também é uma das religiões que marcam presença na capital, pelo famoso Templo Shin Budista Terra Pura, na 315/316 Sul, que teve a sua criação solicitada diretamente a Juscelino Kubitschek em 1958 pela comunidade budista nipo-brasileira. Cinco anos após o pedido, a Novacap permitiu a construção do prédio. A pedra fundamental foi lançada em 1964, enquanto a inauguração ocorreu em 1973. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] Também é possível encontrar na capital federal representantes do islamismo, da umbanda, do candomblé, do espiritismo e de tantas outras formas de fé. A Rota da Paz destaca locais como o Vale do Amanhecer, em Planaltina, fundado em 1969 e que tem como principal característica o sincretismo religioso na Doutrina do Amanhecer; a Mesquita do Centro Islâmico, construída em 1990 na 912 Norte, e a Praça dos Orixás, no Setor de Clubes Sul, que desde 2018 é considerada patrimônio imaterial do DF celebrando as práticas religiosas de matriz africana. Conheça todos os pontos religiosos da Rota da Paz no tour virtual da Setur.
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